top of page
Buscar

O futuro do trabalho não será decidido pela inteligência artificial. Será decidido pela competência humana.

Foto do escritor: Wayne Colombo
Wayne Colombo
há 2 dias
10 min de leitura

Artigo de opinião e análise | Wayne Colombo — Gestão Sistêmica Corporativa (GESISCO)


Estamos discutindo o desaparecimento dos empregos quando deveríamos estar discutindo o desaparecimento da competência profissional.


Existe uma aparente contradição acontecendo no mercado de trabalho. De um lado, especialistas, pesquisadores e futuristas alertam para a possibilidade de milhões de postos de trabalho desaparecerem nos próximos anos, impulsionados pela automação, pela inteligência artificial e por tecnologias que já conseguem executar atividades antes exclusivamente humanas.

Do outro lado, empresas enfrentam uma dificuldade crescente para encontrar profissionais preparados para ocupar funções que continuam existindo e, principalmente, aquelas que estão surgindo.

Como podemos ter, simultaneamente, profissionais ameaçados pelo desemprego e empresas incapazes de encontrar trabalhadores qualificados?

A resposta está em uma transformação que considero muito mais profunda do que a simples substituição de pessoas por máquinas.

Não estamos apenas diante de uma transformação tecnológica do trabalho. Estamos diante de uma transformação das competências necessárias para trabalhar.

E essa distinção muda completamente a conversa.


1. O problema não é apenas a quantidade de empregos. É a capacidade de ocupá-los.


Durante décadas, aprendemos a relacionar empregabilidade à existência de vagas. Se uma indústria crescia, precisava contratar mais operadores. Se uma empresa ampliava sua operação comercial, precisava de mais vendedores. Se um escritório aumentava sua carteira de clientes, precisava de mais profissionais.


Essa relação continua existindo, mas deixou de ser suficiente para explicar o mercado.

Hoje, o crescimento de uma empresa não necessariamente exige o crescimento proporcional do número de empregados.


Tecnologias ampliam a capacidade produtiva, automatizam tarefas repetitivas, reduzem atividades administrativas e permitem que equipes menores executem trabalhos antes realizados por estruturas muito maiores.


Entretanto, há um segundo fenômeno acontecendo simultaneamente: as atividades que permanecem exigem competências cada vez mais sofisticadas.


É aqui que nasce a verdadeira dissonância!

O mercado pode ter menos espaço para determinadas habilidades e, ao mesmo tempo, uma demanda crescente por profissionais que dominem novas competências.

Não significa que todos os empregos desaparecerão. Significa que parte importante daquilo que aprendemos a chamar de profissão está sendo reconstruída.

E o profissional que não compreender essa mudança corre o risco de continuar oferecendo ao mercado uma competência que ele já não valoriza como antes.


2. Os números mostram uma transformação gigantesca. Mas precisamos interpretá-los corretamente.


O relatório Future of Jobs Report 2025, publicado pelo World Economic Forum, apresenta projeções para o mercado global até 2030.


Novos empregos Empregos deslocados Saldo Projetado

170 mi 92 mi + 78mi




Portanto, há uma correção importante: os 78 milhões não representam vagas que necessariamente ficarão sem profissionais. Representam o saldo positivo projetado entre empregos criados e deslocados.


Mas o mesmo relatório apresenta informações que considero ainda mais relevantes.

Perceba o tamanho dessa questão.

Estamos falando de empresas que precisam se transformar, de tecnologias que já estão disponíveis e de profissionais que nem sempre possuem as competências necessárias para utilizá-las.


A tecnologia avança. O modelo de negócio muda. A exigência profissional aumenta.

No entanto, a capacidade humana de acompanhar essas transformações não evolui automaticamente e nem no mesmo ritmo.


A tecnologia pode ser adquirida. A competência precisa ser desenvolvida!


E aqui existe uma responsabilidade compartilhada: profissionais precisam assumir o protagonismo de seu desenvolvimento, enquanto empresas precisam construir ambientes capazes de promover aprendizagem, adaptação e evolução.


Portanto, veja seu lado neste tabuleiro e jogue o seu jogo. Se você é empresário, crie ambientes capazes de promover aprendizagem, adaptação e evolução. Se você é um funcionário, independente de qual hierarquia você ocupe, assuma o protagonismo do seu desenvolvimento e atualização tecnológica.


3. O funcionário não irá desaparecer. Mas o serviço automático feito por humanos será substituído por máquinas.


Vamos trazer essa discussão para dentro das empresas.

Durante muito tempo, consideramos um bom vendedor aquele que conhecia seu produto, visitava clientes, apresentava oportunidades e negociava preços.

Essas habilidades continuam importantes. Entretanto, isoladamente, já não são suficientes para caracterizar um profissional comercial de alta performance.


Hoje, um vendedor precisa compreender indicadores, utilizar CRM, interpretar o comportamento de sua carteira, acompanhar taxas de conversão, analisar oportunidades, conhecer margens, trabalhar com dados e compreender o processo comercial como parte de um sistema.


Ele precisa utilizar a tecnologia para ampliar sua capacidade de decisão.

Mas existe algo ainda mais importante.


Ele precisa saber ouvir.


Precisa compreender necessidades que o cliente nem sempre consegue expressar.

Precisa interpretar contextos, construir confiança, negociar interesses, reconhecer emoções e desenvolver relacionamentos.


Uma inteligência artificial pode organizar informações sobre um cliente, sugerir uma abordagem comercial, produzir uma proposta e identificar padrões de compra.

Mas isso não elimina a necessidade de julgamento humano, especialmente em negociações complexas, relações duradouras e situações que exigem responsabilidade.


O vendedor que apenas transmite informações compete com a automação. O vendedor que compreende pessoas, negócios e sistemas constrói valor.


E isso não se aplica apenas aos vendedores.


Pense no soldador que utiliza equipamentos automatizados e precisa compreender parâmetros, materiais, segurança e controle de qualidade.


Pense no torneiro mecânico que evolui para a programação e operação de máquinas CNC, interpretando desenhos técnicos e tolerâncias cada vez mais exigentes.


Pense no advogado que utiliza inteligência artificial para pesquisa e organização documental, mas precisa exercer julgamento jurídico, avaliar riscos, compreender o cliente e assumir responsabilidade por suas recomendações.


Pense no gestor que possui dashboards extraordinários, dezenas de indicadores e relatórios automatizados, mas não consegue tomar uma decisão, desenvolver sua equipe ou resolver um conflito.


Qual é o valor real de tanta tecnologia se a competência humana não acompanha sua evolução?


A ferramenta pode ampliar a capacidade profissional.

Mas não substituirá discernimento, responsabilidade, experiência, consciência e capacidade de relacionamento - ISSO É REPERTÓRIO HUMANO!



4. Quanto mais artificial for a inteligência disponível, mais valiosa será a competência genuinamente humana.


Aqui eu entrego o ponto central desta reflexão.

Não estou escrevendo este artigo para defender a inteligência artificial.

Não estou propondo que todos se tornem especialistas em programação, tecnologia ou sistemas digitais.


Estou defendendo algo muito mais fundamental. Precisamos humanizar o desenvolvimento profissional.


E humanizar não significa rejeitar tecnologia, abandonar indicadores ou transformar empresas em ambientes sem cobrança por resultados.


Humanizar significa reconhecer que o trabalho é realizado por pessoas, que precisam desenvolver competências técnicas, cognitivas, emocionais, relacionais e comportamentais para produzir resultados sustentáveis.


A inteligência analítica, a capacidade de resolver problemas, a criatividade, a flexibilidade, a resiliência, a liderança e a colaboração ganham importância justamente porque a tecnologia está assumindo parte das atividades operacionais e cognitivas.


O próprio World Economic Forum destaca que competências humanas, como pensamento analítico, pensamento criativo, resiliência, liderança e colaboração, continuarão essenciais, ao lado das habilidades tecnológicas.


Isso nos conduz a uma conclusão importante.

A inteligência artificial não torna a inteligência humana desnecessária.

Ela pode tornar ainda mais evidente a diferença entre o profissional que apenas executa instruções e aquele que compreende o que está fazendo, por que está fazendo e quais consequências suas decisões produzem.


É claro que algumas funções desaparecerão. Outras serão reduzidas. E haverá trabalhadores que enfrentarão dificuldades reais de recolocação, mesmo sendo competentes, por razões econômicas, regionais e estruturais.

É a primeira vez que vemos uma tecnologia colocar em risco profissões de "colarinho branco".


Não podemos romantizar essa transição.


Mas também não podemos transformar o avanço tecnológico em justificativa para a estagnação profissional, ou pior, entrar em movimentos contrários à este caminho que nao tem mais volta.


O conhecimento técnico continua sendo indispensável. Entretanto, conhecimento sem capacidade de aplicação, adaptação e relacionamento pode perder valor rapidamente.


O profissional de valor, não será simplesmente aquele que sabe mais. Será aquele que consegue aprender, compreender, adaptar-se e transformar conhecimento em valor.


5. O maior risco para as empresas não é apenas a falta de profissionais. É a falta de desenvolvimento profissional.


Sugiro aqui que a discussão deixe de ser exclusivamente sobre empregabilidade e passa a ser sobre gestão - minha obsessão.


  • Quantas empresas reclamam que não encontram profissionais preparados, mas não possuem um programa consistente de desenvolvimento de pessoas?


  • Quantas cobram desempenho comercial sem ensinar seus vendedores a interpretar os indicadores de sua própria atividade?


  • Quantas exigem liderança de profissionais que foram promovidos porque eram bons executores, mas nunca foram preparados para liderar?


  • Quantas compram softwares, implantam sistemas, contratam consultorias e investem em inteligência artificial sem desenvolver as pessoas responsáveis por utilizar esses recursos?


Existe uma incoerência importante nesse comportamento.

A empresa exige competências que sua própria estrutura não ajuda a desenvolver.

E depois atribui exclusivamente ao mercado de trabalho a responsabilidade pela ausência de profissionais qualificados.


É evidente que o profissional precisa assumir responsabilidade por sua carreira. Mas a empresa também precisa assumir responsabilidade pela arquitetura de desenvolvimento de suas equipes.


Não basta contratar talentos.


É necessário criar condições para que eles produzam resultados, aprendam continuamente e evoluam com o negócio.


O World Economic Forum identifica a resistência cultural e organizacional à mudança como uma barreira importante à transformação, mencionada por 46% dos empregadores pesquisados.


Portanto, o problema não está apenas na competência individual.

Está também na capacidade das organizações de construir ambientes que favoreçam a aprendizagem, a inovação e a adaptação.


E é exatamente aqui que entra a gestão sistêmica.


6. Gestão sistêmica é sobre pessoas. Porque resultados são produzidos por pessoas.


Na GESISCO, Gestão Sistêmica Corporativa, defendemos que uma empresa não pode ser compreendida como um conjunto de departamentos isolados.

Comercial, operações, finanças, pessoas, indicadores, clientes e governança fazem parte de um sistema interdependente.

E existe um elemento que conecta todos eles.


As pessoas.


  • Uma estratégia extraordinária não produz resultados se ninguém souber executá-la.

  • Um indicador não melhora o desempenho por existir em um dashboard.

  • Um processo não se torna eficiente apenas porque foi documentado.

  • Uma tecnologia não transforma uma empresa simplesmente porque foi adquirida.

  • Resultados não são produzidos por métricas. São produzidos por pessoas que utilizam métricas para compreender, decidir e executar melhor.


É por isso que o desenvolvimento profissional precisa ser tratado como parte da estrutura de gestão, e não como uma atividade eventual do departamento de recursos humanos.


  • Quando uma empresa investe em tecnologia, mas negligencia a competência de suas equipes, ela cria um desequilíbrio.

  • Quando exige resultados sem desenvolver capacidades, cria pressão sem sustentação.

  • Quando promove profissionais sem prepará-los, transforma bons executores em gestores inseguros.


E quando não constrói uma cultura de aprendizagem, começa a depender cada vez mais de poucos indivíduos capazes de resolver problemas.


O resultado é conhecido: sobrecarga, centralização, retrabalho, conflitos, baixa produtividade e dependência excessiva do dono.


Gestão sistêmica procura enfrentar justamente essas desconexões.


É preciso alinhar estratégia, competências, processos, indicadores, liderança e cultura.


Não para substituir pessoas por sistemas. Mas para construir sistemas que permitam às pessoas produzir resultados melhores.


Essa é uma distinção fundamental.


Gestão não é esforço. Gestão é estrutura!

E estrutura só produz resultados quando desenvolve e potencializa a competência humana.


7. O futuro do trabalho exige uma nova responsabilidade profissional.


Existe uma pergunta que considero mais importante do que tentar descobrir quais profissões desaparecerão nos próximos anos.


A pergunta é:

O que você está fazendo hoje para continuar sendo um profissional relevante amanhã?


Não importa se você é vendedor, soldador, torneiro, advogado, químico, professor, engenheiro, empresário ou gestor.

Sua profissão possui uma base de conhecimento, uma forma de execução e um conjunto de competências que precisam evoluir.


Isso não significa abandonar a experiência acumulada.

Pelo contrário.


A experiência pode se tornar ainda mais valiosa quando associada à capacidade de utilizar novas ferramentas, interpretar contextos e produzir soluções.


Mas...

  • Experiência não pode ser confundida com resistência à mudança.

  • Tempo de profissão não garante competência atualizada.

  • Cargo não garante liderança.

  • Diploma não garante capacidade de execução.

  • E domínio de uma ferramenta tecnológica não garante inteligência profissional.


O profissional precisa compreender que sua empregabilidade não depende apenas do que sabe fazer hoje, mas também de sua capacidade de aprender aquilo que será necessário amanhã.


E as empresas precisam compreender que não haverá transformação tecnológica sustentável sem transformação humana correspondente.


8. A inteligência pode ser artificial. A responsabilidade continuará sendo humana.


Um estudo publicado em maio de 2025 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o instituto polonês NASK, estimou que aproximadamente um em cada quatro empregos no mundo apresenta algum grau de exposição à inteligência artificial generativa.


Entretanto, a conclusão central não foi a de que um quarto dos empregos desaparecerá.

Foi a de que a transformação das atividades tende a ser mais provável do que a substituição integral das ocupações.



Isso reforça o argumento que venho construindo.

Estamos diante de uma mudança na natureza do trabalho, não apenas de uma disputa entre humanos e máquinas.


As tecnologias continuarão avançando.

Novas ferramentas serão desenvolvidas.

Algumas atividades se tornarão completamente automatizadas.

Outras dependerão de uma colaboração cada vez maior entre capacidades humanas e recursos tecnológicos.

Mas haverá uma questão que continuará determinante.

Quem possui competência para compreender, decidir, criar, relacionar-se, assumir responsabilidades e produzir resultados?

Porque, no final, o cliente continua sendo uma pessoa.

O trabalhador continua sendo uma pessoa.

O líder continua sendo uma pessoa.

E a empresa continua sendo uma organização humana, ainda que profundamente apoiada por tecnologias.


O futuro não pertence às máquinas. Pertence a quem souber trabalhar com elas sem deixar de ser humano.


Existe uma tentação de interpretar toda revolução tecnológica como uma ameaça ao ser humano.


Mas considero mais produtivo compreender essa transformação como uma exigência de evolução.


Não podemos garantir que todos os empregos serão preservados. Não podemos prometer que toda pessoa conseguirá se adaptar. E seria irresponsável ignorar os impactos econômicos e sociais que a automação pode provocar.


Entretanto, podemos afirmar que o desenvolvimento de competências será uma das questões centrais para profissionais, empresários e organizações nos próximos anos.


O futuro do trabalho não será resolvido apenas com a compra de softwares, implantação de sistemas ou utilização de inteligência artificial.


Será necessário desenvolver pessoas.

  • Pessoas capazes de pensar.

  • Pessoas capazes de aprender.

  • Pessoas capazes de liderar.

  • Pessoas capazes de colaborar.

  • Pessoas capazes de transformar informação em conhecimento e conhecimento em resultado.


E, principalmente, pessoas capazes de compreender que a tecnologia deve estar a serviço do trabalho, enquanto o trabalho precisa continuar a serviço da geração de valor humano, econômico e social.


Por isso, não me interessa apenas discutir quantos empregos desaparecerão.

Me interesso em discutir quantos profissionais estamos preparando para o trabalho que está surgindo - como empresário está é uma das vertentes mais fortes da minha atividade diária.


tudo porque entendo que existe uma diferença gigantesca entre "possuir" uma profissão e possuir competência para exercê-la em um mundo em transformação.


A inteligência pode ser artificial. A competência precisa ser humana!


E a gestão precisa ser capaz de desenvolver, integrar e potencializar essa competência.


Isso é GESISCO.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


logo mini azul.png

GESISCO — Gestão Sistêmica Corporativa

Da empresa que cresceu pelo esforço à empresa que cresce pela estrutura.

© Wayne Colombo — GESISCO · Programa de Implantação Assistida de Gestão Sistêmica Corporativa

bottom of page